O ARCEBISPO NOTA 10
Décimo
arcebispo metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa comemora um ano
da nomeação para o cargo.
Entre as
lembranças de 2010, a Arquidiocese de Belém guarda uma especial: a chegada do
10º Arcebispo, Dom Alberto Taveira Corrêa, mineiro, vindo da Arquidiocese de
Palmas (TO). Em quase um ano de administração pastoral, ele ordenou dez
padres, 33 diáconos permanentes, instaurou três novas paróquias (e no início
de 2011serão mais duas), já visitou todas as paróquias da Arquidiocese e as
38 ilhas que compõem a região da Grande Belém. Assim como o vigor pastoral as
missões do Arcebispo crescem a cada dia. Dom Alberto conversou com a Voz de
Nazaré sobre o trabalho já realizado e sobre os próximos passos da
Arquidiocese de Belém.
No dia 30
de dezembro o senhor completa um ano como arcebispo nomeado de Belém. No começo,
o senhor falou muito sobre "conhecer" a Arquidiocese, como foi esse
ano de conhecimento?
Primeiro
eu tenho que dizer que valeu a pena, acho que o que disse na minha posse, a
minha liberdade está na obediência, saber que Deus tinha um caminho de realização,
de felicidade, aqui na Arquidiocese de Belém, eu estava pronto na minha vida a
ficar onde quer que o Senhor me colocasse. Quando pela palavra do Papa Bento XVI
foi dito Belém é o seu lugar eu deixei todas as coisas. A partir da minha
posse pude logo viver a Semana Santa, comecei a visitar as paróquias, nasceu
uma ideia muito bonita com cada uma das regiões episcopais, nos pegamos um
micro-ônibus com todos os padres da região e em pouquíssimo tempo eu visitei
todas as paróquias, não quer dizer celebrar em todas as paróquias faltam
ainda duas paróquias apenas para eu celebrar. Nesses nove meses eu visitei
todas as paróquias, fui a todas às casas com os sacerdotes, então é
conhecer. Aí comecei a celebrar, visitei todas as escolas católicas, todas as
Universidades, hoje posso dizer que conheço Belém. Uma pessoa uma vez me
disse: "o senhor gosta de dirigir". Digo que gosto mesmo, quando
necessário há o motorista, mas eu gosto porque aonde vou dirigindo eu conheço
o local. Visitei escolas, visitei hospitais, visitei todas as penitenciárias,
foi um contato muito grande com as pessoas.
Durante
sua primeira visita qual foi o primeiro desafio que lhe pareceu mais iminente?
Estar
atento à história dessa Igreja, porque a Igreja em Belém não foi inventada
com a minha chegada, ela tem como vida eclesial quase 400 anos, como
Arquidiocese ela vai completar 300 anos em 2019, mas eu tinha que conhecer,
porque eu entro nesse rio bonito da história com valores, com práticas, plano
de pastoral realizado, iniciativas, vida de sacerdotes, tanta coisa linda que
foi construída aqui, então desafio era esse o conhecimento. Ao mesmo tempo eu
não podia ficar parado aguardando conhecer, porque no dia seguinte à posse você
começa a trabalhar, então você tem que imediatamente entrar em contato com as
pessoas. Este conhecimento ocorreu mais rápido do que eu pensava, por exemplo,
conhecer todos os sacerdotes, saber pelo nome, conhecer um pouco da história de
cada um, nosso Senhor me deu essa graça muito cedo, muito rapidamente eu
conheci todas as pessoas que trabalham comigo. Às vezes no contato com as paróquias
nem sempre eu me recordo dos nomes, mas eu sou fisionomista.
Em relação
às vocações, como o senhor enfrentou esse desafio?
A minha história de vida está sempre ligada ao trabalho com as vocações.
Eu fui reitor do seminário em Belo Horizonte (MG) formei 55 sacerdotes. A
Pastoral Vocacional, o esquema de Pastoral Vocacional pela CNBB nasceu em Belo
Horizonte. Aqui estamos trabalhando seriamente com a Pastoral Vocacional. A
primeira coisa que eu senti que deveria fazer aqui era organizar a equipe de
formação no Seminário, logo em seguida assumi o desafio que já tinha sido
criado anteriormente e trabalhar para a criação da Universidade Católica,
estamos já com uma comissão trabalhando nessa dimensão, porque a formação
sacerdotal será dentro do ambiente universitário. Este ano tivemos dez ordenações
sacerdotais e eu acolhi aqui a comunidade Obra de Maria, no dia 26 de janeiro,
ordenarei mais sete sacerdotes, dois deles irão trabalhar aqui na Fundação
Nazaré de Comunicação, outros serão missionários, inclusive, na Amazônia.
Dos dez que ordenei, nove são nascidos aqui apenas um é de Minas Gerais, o
padre José Reinaldo, mas que vive em Belém há muitos anos. Ordenei também um
sacerdote capuchinho frei Manoel, dessa forma tivemos muitas ordenações este
ano. Um bispo em um ano ordenar 18 sacerdotes não é pouca coisa.
Instrumentos
importantes da Arquidiocese de Belém são as pastorais sociais, instituições
como a Cáritas. O que o senhor encontrou em relação ao trabalho social na
Igreja de Belém?
Quando eu fui nomeado no dia 30 de dezembro de 2009 me ligaram daqui para fazer
uma entrevista, longa, com muitas perguntas e me perguntaram o senhor vai
continuar o trabalho realizado anteriormente pela Cáritas nas ilhas? Eu disse
pelo menos me contem que existem ilhas. 'Quais são seus projetos?', eu não
tinha projeto algum porque acabava de ser nomeado (risos). Meu projeto era
conhecer e chegar aqui. Digo que encontrei aqui uma consciência muito bonita,
muito interessante, capitaneada pela Cáritas, por outras entidades da nossa
Arquidiocese, muitas obras sociais, de diversas paróquias, de congregações
religiosas, uma coisa maravilhosa. Eu percebi que nos tínhamos alguns desafios
sociais de presença da Igreja. Nós passamos de dois milhões de habitantes. Nós
temos hoje 62 paróquias e nós temos hoje algo em torno de 33 mil habitantes
por paróquia. Em termos de Pastoral urbana deveríamos chegar a ter mais ou
menos 10 mil pessoas por Paróquia, para se ter uma margem boa de atenção
pastoral, estamos longe disso, porque aí a Igreja tem que estar presente,
conhecer as pessoas, ser presença de caridade, de anúncio do Evangelho, da
comunhão, aí eu pensei Belém precisa atingir mais as pessoas, então é uma
vertente que depois pode ser respondida em termos de paróquias. Há outra
vertente que é a população insular, nós temos 38 ilhas, eu visitei todas
elas, terminei há poucos dias a visita pastoral às ilhas. Atualmente nós
temos uma Paróquia das ilhas, que é Nossa Senhora da Conceição com sede em
Outeiro, e algumas ilhas que são assistidas por outras Paróquias, por exemplo,
como o Curuçambá. Mais uma paróquia para as ilhas, com uma presença social
muito forte, da parte da Cáritas, da parte do IDHI e de outras entidades,
trabalhos de presença nessas ilhas. Então criamos, será instala no dia 16 de
janeiro a segunda paróquia nas ilhas (São Francisco de Assis, em Cotijuba).
Teremos a partir de agora quatro sacerdotes totalmente dedicados às ilhas, com
as respectivas estruturas pastorais e sociais. Temos que estar presentes junto a
essas pessoas que têmmaiores necessidades. A Igreja quer estar presente
contribuindo também para que se conscientize a sociedade, os organismos de
governo, etc, sobre tantas coisas que podem ser feitas.
O senhor
falou das ilhas, sabemos das distâncias, que tornam levar o Evangelho para
todas as pessoas um desafio maior ainda, para isso temos nossos meios de
comunicação da Fundação Nazaré, como o senhor os vê?
Eu tenho a
Catedral, celebro na Catedral, celebro nas paróquias, mas vamos somar quantas
pessoas eu atinjo na Catedral ou nas paróquias e quantas pessoas eu atinjo
agora com essa entrevista. Eu quero dizer que a nossa Fundação Nazaré de
Comunicação (FNC) é como uma imensa Catedral que cabe todo mundo. Toda a
semana temos pessoas que nunca ouvem falar de Igreja e que começaram a ouvir
falar através dos nossos veículos, é uma beleza que isso aconteça. E nós
temos a responsabilidade porque a boa nova de Jesus será proclama sobre os
tetos do mundo. Eu tenho me dedicado muito nesses anos de bispo a evangelizar
através dos meios de comunicação, quero investir o meu tempo, as minhas
energias, minha dedicação para que nós continuemos. Por falar nisso, nossos
meios de comunicação, como todo respeito a todos os outros meios de comunicação
que existem da Igreja no Brasil, mas conversando com bispos ou diretores de
outras redes católicas e digo isso com um "santo orgulho" a nossa
rede de comunicação é aquela que melhor consegue unir duas coisas: evangelização
e capacidade de levar em conta a cultura regional e é por aí que nós temos
que caminhar. Nós temos esse rosto, ser Amazônia e evangelizar a partir da
Amazônia e ser uma força de evangelização efetiva. A nossa televisão é católica
e ao mesmo tempo busca essa linguagem que é de atingir as pessoas do nosso
tempo e da nossa cultura.
Tivemos a
escolha de Belém como sede do Congresso Eucarístico 2016, já tivemos ações
relacionadas a isso, como, por exemplo, as vigílias na Igreja das Mercês,
futuro santuário de adoração perpétua, o próprio Belém em Missão. Que
outras ações estarão voltadas para a preparação da cidade para receber o
congresso? Qual o planejamento em relação a isso?
No início
de 2011 vamos ter a constituição da comissão central. Essa comissão formará
as diversas comissões na parte teológica, na parte pastoral, litúrgica, de
recursos, tudo o que será necessário para o Congresso Eucarístico. Já temos
mais ou menos pensando um grande esquema a partir das seis regiões episcopais,
como rios que convergem em uma mesma direção. A região do Menino Deus vai ter
como tema de preparação para o Congresso Eucarístico "A criança e a
Catequese"; a região de São João Batista vai ter como tema a Evangelização;
a região São Vicente de Paulo a dimensão da caridade e dos idosos; a região
Santa Maria Goretti a Juventude; a região de Sant'Anna vai cuidar do tema da
família; desta forma teremos cada uma das regiões que deverá aprofundar
pastoralmente cada um dos temas, faremos essa convergência de temas. Eu incitei
as Universidades, todas aceitaram e desencadearam processos de monografias e
teses sobre a História da Igreja em Belém e também sobre temas ligados a
Eucaristia, então faremos um aprofundamento acadêmico, faremos um trabalho
pastoral, queremos até o final de 2011 ter o texto base, a parte teológica já
redigida. As coisas já estão se encaminhando e até o final de 2011 teremos as
diversas comissões constituídas, a fim de que elas a partir de 2012 já
estejam efetivamente com mãos a obra para preparar o Congresso Eucarístico
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2011 Copyright © Eliezer de Oliveira
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