DOM
ALBERTO EM BELÉM
Dom
Alberto Taveira Corrêa, arcebispo eleito pelo papa Bento XVI, vindo de Palmas,
TO, Amazônia do Brasil, chegou a Belém dia 24/03. Foi recebido em festa no
aeroporto de Val-de-Cães.
Presentes:
Monsenhor Possidônio, administrador arquidiocesano, a governadora Ana Júlia,
autoridades eclesiásticas, civis, pastorais e movimentos eclesiais, além do
povo em geral.
Palavras
de Dom Alberto em solo belenense:
“Louvado
seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Só tenho a oferecer
minha vida para trabalhar na construção da vida da Igreja!”.
Do
aeroporto, o arcebispo eleito de Belém seguiu em carreta para a residência
episcopal, com o povo clamando: “Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana
nas alturas!”
Noite do dia 24 de março
Na
igreja de Santo Alexandre Dom Alberto Taveira foi homenageado pelo núncio apostólico
dom Lorenzo
Baldisseri, que
executou obras de Michael Kleofas Oginski, Éric Satie,
Villa-Lobos, Schumann e Chopin...
Abrilhantando o
evento estiveram a governadora Ana Júlia, o presidente
do TJE Rômulo Nunes, o prefeito em exercício Walter Arbage, autoridades
eclesiásticas e convidados.
O Coral da Fundação
Carlos Gomes encerrou o evento.
Os Dez arcebispos de Belém
1.
Dom
José Marcondes Home de Melo (1906),
paulista
2.
Dom
Santino Maria da Silva Coutinho
(1907-1923), paraibano
3.
Dom
João Irineu Joffy (1924-1931),
paraibano
4.
Dom
Antônio de Almeida Lustosa
(1932-1941), mineiro
5.
Dom
Jaime de Barros Câmara (1942-1943),
catarinense
6.
Dom
Mário de Miranda Vilas-Boas
(1944-1956), gaúcho
7.
Dom
Alberto Gaudêncio Ramos (1957-1990),
paraense
8.
Dom
Vicente Joaquim Zico (1990-2004),
mineiro
9.
Dom
Orani João Tempesta (2004-2009),
paulista
10.
Dom
Alberto Taveira Corrêa (2004-xxxx),
mineiro
CERIMÔNIA
DE POSSE
A posse de Dom Alberto
Taveira Corrêa aconteceu no dia da Anunciação do Senhor na Catedral
Metropolitana. Maravilhoso espetáculo televisivo promovido pela graça de Deus
para a sua Igreja amada.
Aproximadamente 2000 fiéis
participaram do evento, tanto de dentro do templo como de fora através de telões.
Além dos paroquianos de
Belém e adjacências, vieram também de Palmas-TO, Manaus-AM, Amapá-AP, Rio de
Janeiro-RJ, São Paulo-SP, Nova Lima-MG.
A cerimônia de posse
foi dividida em dois estádios. O da posse canônica e o da celebração Eucarística.
A posse canônica
iniciou às 19h30 com a leitura da Bula do papa Bento XVI nomeando Dom Alberto
Taveira Corrêa arcebispo de Belém e a entrega do báculo do Pastor por Dom
Lorenzo Baldisseri, núncio apostólico e representante do papa no Brasil.
Monsenhor
Possidônio, administrador arquidiocesano, foi o responsável pelo desempenho do
evento e, quando expunha a importância de tal acontecimento su voz ficou
embargada pela forte emoção que sentia, fato que coroou singelamente seu
trabalho à frente da administração arquidiocesana.
Dom Alberto, já empossado
arcebispo, presidiu a celebração Eucarística, servido pelo diácono Leandro,
dentro da liturgia do Dia do Senhor. Em sua homilia o arcebispo de Belém
revelou em parte, mas com contundência, que seu governo será fundamentado na
obediência e na comunhão com aparticipação de todas as forças vivas da
Igreja, com especial atenção às comunidades afastadas e carentes.
Bispos
presentes na solenidade de posse
Conforme
consta no Livro de presença para Celebrações, eis os nomes dos bispos que o
assinaram:
Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro
Dom Vicente Joaquim Zico, Arcebispo Emérito de Belém
Dom Washinton Cruz, Arcebispo de Goiânia, Go
Dom Antonio Lino da Silva Dinis, Bispo de Itumbiara - GO
Dom Mário Pasqualotto - Bispo Auxiliar de Manaus - AM
Dom João Braz de Aviz - Arcebispo de Brasília - DF
Dom Carlos Verzeletti - Bispo de Castanhal - PA
Dom Rodolfo (Weler) - Cristalândia - TO ?
Dom
Romualdo Matias Kujawski - Bispo Coadjutor de Porto
Nacional -TO
Dom Philip Dickmans - Bispo de Miracema - TO
Dom Giovane Pereira de Melo - Tocantinópolis - TO
Dom José Foralosso - Bispo de Marabá - PA
Dom Waldemar Passini (Delbello) - Auxiliar de Goiânia - GO
Dom Adair José Guimarães - Bispo de Rubiataba - Mozarlândia - GO
Dom José Palmeira Lessa - Arcebispo de Aracaju - SE
Dom Frei José Luis Azcona Hermoso - Bispo Prelado do Marajó - PA
Dom Gilberto Pastana de Oliveira - Bispo de Imperatriz - MA
Dom Frei Martinho Lammers, Óbidos - PA
Dom Martinho Panico
Obs: Alguns nomes estão
ilegíveis.
Bula papal, em latim
BENEDICTUS
episcopus Servus Servorum Dei
Venerabili
Fratri Alberto Tâveira Corrêa,
Archiepiscopo hactenus Palmensi in Brasilia, nunc Archiepiscopo electo Ecclesiae
Metropolitanae Belemensis de Pará, salutem et Apostolicam Benedictionem.
Pastoralis utilitas saepe postulat ut Episcopos sede mutemus, quod plerumque
facimus cum hi, specimine dato virtutis in pastorali ministerio, Nobis
promovendi videntur, vel cum particularibus Ecclesiis, Pastoribus orbatis, est
consulendum. Nunc ergo prospicimus Archidioecesi Belemensi de Pará, quae, post
translationem ultimi eius Antistitis Venerabilis Fratris Orani Joannis Tempesta,
O. Cist., ad Metropolitanam Ecclesiam Sancti Sebastiani Fluminis Januarii, suo
caret moderatore. Quapropter statuimus tibi, Venerabilis Frater, eandem
Archidioecesim committere, qui sive in tironum institutione, sive in prioribus
pastoralibus muneribus prudentem, usu peritum, catholicae veritatis studiosum te
ostendisti. Quocirca audito Congregationis pro Episcopis consilio, Nostrae
Apostolicae potestatis et auctoritatis plenitudine, his Litteris te, solutum
vinculo Archidioecesis Palmensis in Brasilia, Archiepiscopum Metropolitam Belemensem
de Pará renuntiamus, debitis datis iuribus congruisque impositis
obligationibus. Certiores fácies huius tuae nominationis clerum et populum
archidioecesis nunc tibi concreditatae, ut sciant quis in via salutis aeternae
sit sibi sequendus. Sede mutatus, Venerabilis Frater, idem Pastor manes iidemque
te perstant labores et alia pars Christi Familiae te exspectat, ut de ea eandem
adhibeas curam, ac in prioribus officiis. Perge ideo industrius esse,
indefatigatus tam in prosperis rebus quam in adversis, Christo confisus, qui
ante óculos et vere cordi est tibi semper habendus. Datum Romae, apud S. Petrum,
die tricesimo mensis Decembris, anno Domini bismillesimo nono, Pontificatus
Nostri quarto.
Benedictus PP XVI
Franciscus
Di Felice. Prot. Apost.
Bula Papal, em português
BENTO
BISPO Servo dos Servos de Deus
ao
Venerável Irmão Alberto Taveira Corrêa,
até o presente momento Arcebispo de Palmas no Brasil, agora Arcebispo eleito da
Igreja Metropolitana de Belém do Pará, saúde e Bênção Apostólica. A
necessidade pastoral muitas vezes requer que mudemos os Bispos da própria sede,
coisa que normalmente realizamos quando estes, depois de ter dado exemplo de
virtude no ministério pastoral, nos pareceram dignos de ser promovidos, ou
quando se trata de prover às Igrejas particulares desprovidas de Pastores.
Agora, portanto, estamos provendo à Arquidiocese de Belém do Pará, que ficou
sem seu Guia, depois da transferência do seu último Bispo, o Venerável Irmão
Orani João Tempesta, da Ordem Cisterciense, à Igreja Metropolitana de São
Sebastião do Rio de Janeiro. Por este motivo decidimos, Venerável Irmão, de
te confiar a mesma Arquidiocese, pois demonstraste prudência seja no tempo da
formação, seja nos anteriores ofícios pastorais, experiente na prática,
douto na verdade católica. Por isso, depois de ter ouvido o conselho da
Congregação para os Bispos, na plenitude do Nosso poder e autoridade Apostólica,
com estas cartas, desligado do vínculo com a Arquidiocese de Palmas no Brasil,
te nomeamos Arcebispo Metropolitano de Belém
do Pará, com as devidas formas de direito e impostas as obrigações
legais. Informe desta tua nomeação o clero e o povo da Arquidiocese que agora
ti é confiada, a fim de que saibam quem devem seguir no caminho da eterna salvação.
Depois da mudança de sede, Venerável Irmão, permanecerás o mesmo Pastor e
continuarás com os mesmos trabalhos, pois outra parte da Família de Cristo te
espera a fim de que cuide dela assim como fizeste nos precedentes ofícios.
Prossiga portanto com zelo, infatigável seja nos tempos favoráveis como nas
adversidades, tenha confiança em Cristo que deverás sempre tê-lo perante os
teus olhos e mais ainda no teu coração. De Roma, São Pedro, no dia trinta do
mês de Dezembro, do ano dois mil e nove, quarto do Nosso Pontificado.
Bento PP XVI
Francisco
di Felice. Prot. Apost.
Fonte:
Advaldo Lima, Informatica, Catedral Metropolitana de Belém
Homilia de Dom Alberto na Missa
de posse como Arcebispo de Belém
HOMILIA DO DIA 25 DE MARÇO DE 2010, SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO
DO SENHOR,NA MISSA DE POSSE COMO DÉCIMO ARCEBISPO METROPOLITANO DE BELÉM DO
PARÁ
1. PEREGRINAÇÃO
Irmãos e Irmãs em Cristo. Deus quis que seu Verbo Eterno se
fizesse homem no seio da Virgem Maria1. No dia em que fazemos memória viva dos
inícios de nossa Redenção, desci pelo Tocantins, de Palmas para Belém, para
aqui servir ao Povo de Deus.
Trago meu coração agradecido pela Arquidiocese de Palmas, com
Padres, Diáconos, Religiosos e Religiosas, membros de Comunidades de Vida e
Aliança e o querido Povo de Deus, por tudo que construímos juntos.
Obrigado a tantas pessoas que aqui vieram, representando a
Arquidiocese de Palmas. Aqui se encontram também meu irmão com sua esposa e
minha irmã com seu filho, e familiares e amigos de Nova Lima, em Minas Gerais,
aos quais agradeço por me fazerem sentir enraizado numa família, num povo e
numa cultura.
Com São João Damasceno, devo dizer ao Senhor: “Tu me chamas,
Senhor, para servir os teus discípulos. Não sei por que razão me escolheste;
só tu sabes. Torna, Senhor, mais leve o peso de meus pecados. Purifica minha
inteligência e meu coração. Sê para mim como uma lâmpada luminosa que me
conduz pelo caminho reto. Dá-me palavra fácil e concede-me uma linguagem clara
e fluente, mediante a língua de fogo de teu Espírito, a fim de que tua presença
sempre me assista. Sê meu pastor, e apascenta comigo, Senhor, para que meu coração
não se incline nem para a direita nem para a esquerda; que o teu Espírito bom
me conduza pelo caminho reto e as minhas obras se realizem segundo tua vontade,
até à última delas” 2.
Peço a Deus que me permita ir de Nazaré a Belém, de Belém a
Nazaré, dali a Jerusalém, e voltar a Nazaré, para aprender, como Jesus
adolescente submisso a Maria e a José, os caminhos da Igreja nesta grande Amazônia,
iluminados pelo Círio de Nazaré. De
Nazaré a Jerusalém, a Caná, ao Caminho do Calvário, aos pés da Cruz e ao
Cenáculo e, enfim, ao coração da Igreja, com Maria, Nossa Senhora de Nazaré,
Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora do Pilar,
Padroeira de Nova Lima, Minas Gerais, minha terra natal, à qual foi consagrado
no dia de minha ordenação sacerdotal. E vamos peregrinar juntos, acompanhados
por Maria, Mãe e Mestra. De fato “felizes os quem em vós têm sua força, e
se decidem a partir quais peregrinos! Quando passam pelo vale da aridez, o
transformam numa fonte borbulhante, pois a chuva o vestirá com suas bênçãos.
Caminharão com um ardor sempre crescente e hão de ver o Deus dos deuses em Sião”
3.
É com Maria e debaixo de sua proteção que, no dia 8 de
dezembro de 2009, recebi do senhor Núncio Apostólico, que nos honra com sua
presença, a notícia de minha nomeação como Arcebispo de Belém. Com ela
encontrei mais uma vez a estrada da liberdade, na obediência e na unidade com o
Sucessor de Pedro, sua Santidade o Papa Bento XVI, em cujas mãos renovamos a
estrita fidelidade do Pastor e da Igreja de Belém. É
diante de Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira da Amazônia, que manifesto meu
profundo respeito e o propósito de comunhão com as Igrejas desta terra abençoada
e com os irmãos Bispos, anjos de suas Dioceses e Prelazias, com os quais
viveremos juntos as comemorações do quarto centenário da Evangelização da
Amazônia e enfrentaremos todos os desafios que se apresentarem ao trabalho
evangelizador. Com eles, Dom Vicente Zico, “anjo da Guarda” da Igreja de Belém,
e Dom Orani João Tempesta, cujo ministério nesta Arquidiocese deixou marcas
indeléveis. Aqui se encontram também Bispos que de outras regiões do Brasil,
junto com o Presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, para oferecer o magnífico
testemunho da unidade.
É com a Virgem Maria e debaixo de seu manto que nesta belíssima
Catedral, há pouco restaurada, inicio meu Ministério. Vim para dar minha vida,
para ficar com cada um de vocês. Fui enviado para que em plena fidelidade a
Cristo, à sua Igreja e ao seu legítimo Pastor Universal, o Papa Bento XVI,
esta Igreja que vive em Belém, pastores e fieis, continue a ser obediente ao
mandato de Jesus Cristo: “fazei isto em memória de mim”. Vim para que o
amor, fruto da verdade crucificada, faça ressuscitar todos nós da morte do
nosso pecado, de nossas misérias pessoais e sociais, de nossas injustiças e
maldades. Vim e hoje tomei posse, para que, desapegado e esvaziado de mim
mesmo, a vida nova do Filho de Deus feito homem, dada ao mundo pelo seu sacrifício
pascal, continue sendo validamente celebrada e eficazmente comunicada na
Eucaristia e nos demais sacramentos nas Paróquias e Comunidades de nossa muito
amada Arquidiocese de Belém.
2. UM GRANDE SINAL
Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e
no ventre, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida como verdadeira Mãe de Deus.
Em sua obediência encontra sua liberdade, pois se descobre querida por Deus,
acolhida e amada pelo Espírito de Deus. Pela obediência ao Espírito ela se
torna Mãe do Filho de Deus. O sinal que Acaz não quis pedir para não
incomodar a Deus, Ele mesmo4, livremente, oferece: assume nossa natureza humana
e a faz fecunda para a salvação de todos, para toda a humanidade. Deus
conosco, Emanuel!
Maria foi enriquecida com a missão e dignidade de Mãe de Deus
Filho, Filha predileta do Pai, Esposa do Espírito Santo, e segue na frente de
todas as demais criaturas do céu e da terra, verdadeiramente Mãe dos membros
de Cristo, porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis,
membros da cabeça que é Cristo. Mãe de
toda humanidade redimida e reconciliada com Deus, ela é imagem e início da
Igreja. Na terra, brilha como sinal 5 de esperança segura e de consolação,
para o Povo de Deus peregrino, até que chegue o dia do Senhor.
Aos pés da Cruz, Nossa Senhora, ainda mais obediente, aprende e
partilha a eficácia do sacrifício que nos salva, do corpo entregue, do sangue
derramado e da água jorrada do lado aberto de seu Filho crucificado e
abandonado por nós 7. A Virgem Maria, que em Nazaré ficou grávida pelo poder
do Espírito Santo, em Belém, casa do Pão, deu à luz a carne, o pão do
sacrifício definitivo. Aos pés da Cruz, deixa-se envolver, pelo sacrifico de
sua obediência virginal, no amor misericordioso de Deus e no sacrifício
redentor do seu Filho.
Para a vida do mundo, a Mãe se oferece. Pela força do sacrifício
do seu Filho, ela pode participar da obediência filial de Jesus. O ‘faça-se
de mim segundo a tua palavra’ 8 na Anunciação se repete aos pés da Cruz 9.
Diante do lado aberto pela lança de seu Filho crucificado, cumpriu-se a
profecia de Simeão: “Este menino será causa de queda e de reerguimento para
muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição – uma espada traspassará
a tua alma! – e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações”
10. O esvaziamento da própria liberdade entregue pelo Filho ao Pai no abandono
da Cruz e a desolação da Virgem das Dores, torna a obediência da Anunciação
uma obediência eucarística da Igreja: Maria, libertada de si mesma nos gera,
pelo Espírito, para sermos obedientes ao mandamento eucarístico de seu próprio
Filho: ‘fazei isto em memória de mim’ 12, ‘amai-vos uns aos outros como
eu vos amei’ 13, ‘dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, também vós
o façais’ 14. Pela morte a si mesma em sacrifício de obediência ao Pai, a
Virgem Maria nos convida à obediência total a seu Filho.
Deus está conosco! Pela Eucaristia nos faz Igreja, nos congrega
como sua família e nos capacita para a missão. ‘Fazei tudo o que ele vos
disser’ 15. A Mãe nos indica o caminho do discipulado e ensina que pela
obediência até o sacrifício de nós mesmos na Eucaristia, a Palavra de Deus
terá eficácia e produzirá frutos de vida para todos. Com Maria, Mulher Eucarística,
nós peregrinamos de Nazaré a Belém, de Belém a Nazaré, de Nazaré aos
caminhos da Galileia, a Jerusalém, ao Cenáculo, aos pés da Cruz, à manhã da
Ressurreição e ao Pentecostes, onde a Igreja é inaugurada pelo vento
impetuoso do Espírito. E desde então Maria acompanha a Igreja em sua
peregrinação da fé, conduzindo-nos pela mão para aprendermos a ser Igreja,
discípulos missionários, a fim de que a Boa Nova chegue aos confins da terra.
Por isso a saudamos como modelo e exemplo perfeito na fé e na
caridade; e nossa Igreja de Belém, ensinada pelo Espírito Santo, consagra-lhe,
como a Mãe amada, filial afeto de piedade16. Nossa Senhora de Nazaré, Nossa
Senhora de Belém, Nossa Senhora da Graça, Maria Mãe da Igreja, rogai por nós!
3. O MISTÉRIO DA IGREJA
Que lugar e que missão Deus confiou à Igreja de Belém? A que
veio o novo Arcebispo? A peregrinação da fé, percorrida por Nossa Senhora,
nos ajude a responder a tais perguntas. Nossa Senhora, “Porta do Céu” abra
as portas da Casa do Pai para nós; a “Mãe da Igreja” seja nossa Mestra,
diante da Palavra que Deus nos dirige. A Igreja de Cristo está aqui presente.
Somos o novo povo chamado por Deus, no Espírito Santo. Aqui se congregam os fiéis
pela pregação do Evangelho de Cristo e se celebra o mistério da Ceia do
Senhor. Quando participamos do altar da Eucaristia, manifesta-se o sinal do amor
e da unidade do Corpo místico.
A Igreja nasceu na morte de Cristo na Cruz. Pela morte de Cristo,
nasce a Igreja, diz Santo Agostinho 19. Jesus é o divino grão de trigo que
“cai na terra e morre”, e exatamente por isso “produz muito fruto” 20.
“Cristo semeou um corpo particular e ressuscita Corpo místico, ressuscita
Igreja”.
É Bento XVI que nos ensina na Encíclica Deus Caritas est: “Se
vês a caridade, vês a Trindade” — escrevia Santo Agostinho. Fixamos o
nosso olhar naquele que foi transpassado, reconhecendo o desígnio do Pai que
enviou o Filho unigênito ao mundo para redimir a humanidade.
Quando morreu na cruz, Jesus “entregou o Espírito”, prelúdio daquele dom
do Espírito Santo que Ele havia de realizar depois da ressurreição. Deste
modo, se realizaria a promessa dos “rios de água viva” que, graças à efusão
do Espírito, haviam de emanar do coração dos que crerem. De fato, o Espírito
é aquela força interior que harmoniza seus corações com o coração de
Cristo e os leva a amar os irmãos como Ele os amou, quando se inclinou para
lavar os pés dos discípulos e quando deu a sua vida por todos.
Desde os primeiros tempos, a Igreja tem os olhos fixos em Jesus
crucificado. Sangue e água que escorrem do lado aberto simbolizam os
sacramentos do Batismo e da Eucaristia de onde nasce o novo Povo. E Maria aos pés
da cruz é o modelo realizado da Igreja, a nova Eva nascida do lado de Cristo,
novo Adão. E do alto da Cruz, Jesus sopra seu Espírito sobre Maria e João,
que representam a Igreja. Jesus nos doa o Espírito que o liga em profunda
comunhão pessoal com o Pai. Na Cruz e no Abandono, Jesus tirou de si o amor e o
doou aos homens fazendo-os filhos de Deus. Jesus fez-se nada; doou tudo e este
tudo não foi perdido, porque se transferiu para a alma dos homens. O seu grito
representa as dores de um parto divino dos homens como filhos de Deus. Naquele
momento a Igreja tem início, porque ali ele deu de presente o Espírito Santo
que depois descerá sobre os Apóstolos reunidos com Maria, no Cenáculo.
No Pentecostes, a jovem Igreja, repleta do Espírito Santo, sai
para a vida pública e inicia a sua corrida para fazer de todos “um”.
“Aquilo que Babel dispersou a Igreja recolhe”, dirá Santo Agostinho.
“Muitas línguas tornam-se uma: não te maravilhes disto: isto é obra do
amor”.
Esta é a Igreja: muitos homens e mulheres que, graças à
participação na morte e ressurreição de Jesus, tornaram-se um só homem
novo, uma só pessoa em Cristo. Jesus que se oferece na cruz, está na origem
daquela “nova comunidade de amor” que une entre si próximos e distantes,
pessoas de condições sociais e nacionalidades diversas34 , para fazer deles
“um só coração e uma só alma”.
A partir do Pentecostes, começa para os primeiros cristãos o anúncio
da boa nova do Evangelho: Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo há de
voltar! É o anúncio do Kerigma, que perpassa toda a formação do discípulo
missionário, como nos ensina o Documento de Aparecida. O anúncio de Jesus
crucificado e ressuscitado é a síntese do Evangelho que os Apóstolos levam a
todos os povos; a fração do pão eucarístico, no qual se torna presente a
oferta do Corpo e do Sangue de Jesus na Cruz, é o coração da comunidade cristã.
Logo a seguir, os primeiros discípulos partilham o destino de
seu Senhor crucificado, derramando o próprio sangue por ele e com ele. E,
exatamente, assim o cristianismo se difunde: “o sangue dos Mártires é
semente de Cristãos”, diz o
antigo provérbio cristão.
Aqui em Belém deverá estar presente a fidelidade à Igreja de
Cristo, aqui a coragem para anunciar o Evangelho, dispostos a enfrentar todas as
dificuldades e desafios, no rastro de tantas pessoas que corajosamente assumiram
a causa do Evangelho, cada um segundo a sua vocação e graça recebidas. O
sangue dos mártires continue a semear cristãos em Belém e na Amazônia! Há
uma legião de testemunhas, na Igreja de Belém e em toda a Amazônia, nos
Arcebispos e Bispos, Sacerdotes, Religiosos, Religiosas, Leigos e Leigas, dos
quais somos devedores por professar hoje a fé católica. A eles se unem homens
e mulheres que deram a sua vida pela verdade na Amazônia. Dentre outros tantos
ícones de nossa história, a todos simboliza nossa querida Irmã Dorothy Stang,
apaixonada pelo serviço dos mais pobres: “Eles têm o sagrado direito a uma
vida melhor, numa terra onde possam viver e produzir com dignidade, sem
devastar”.
4. COMUNHÃO
Maria, na Anunciação e aos pés da Cruz correspondeu aos desígnios
de Deus 36. Mas de que modo a vida que Jesus nos deu no mistério de sua Cruz se
realiza em nós? Como aquilo que somos pode manifestar-se plenamente. Sozinhos não
somos capazes. Para que assim possamos viver, Ele nos conduz a três fontes de
graça: a comunhão com Jesus em sua Palavra, a comunhão na Eucaristia e a
comunhão com os irmãos. Sim, a Igreja é Comunhão!
Os Atos dos Apóstolos descrevem assim a primeira Comunidade de
Jerusalém: eram assíduos no ensinamento dos Apóstolos – Comunhão com a
Palavra, na união fraterna – Comunhão com os irmãos – e na Fração do pão,
Comunhão Eucarística. Não é por acaso que estas três comunhões se refletem
também na assembléia dominical dos primeiros séculos: à leitura e ao
aprofundamento da Palavra se seguia a celebração da Eucaristia que, depois,
desembocava numa refeição fraterna, com a partilha daquilo que cada um tinha
posto em comum.
Comunhão com a Palavra
Nossa Igreja buscará o alimento da Palavra. Segundo a primeira
carta aos Coríntios o Evangelho é “palavra da cruz” que despreza toda glória
humana e transmite o poder, a sabedoria e a santidade de Deus, de modo que, para
todo verdadeiro cristão, acolher o Evangelho não é outra coisa senão
mergulhar na vida de Cristo crucificado: “Na verdade, eu não considerei saber
outra coisa entre vós senão Cristo e Cristo crucificado”.
“Fui crucificado com Cristo e não sou mais eu que vivo, mas é
Cristo que vive em mim”. Os desafios à Evangelização são enormes! É fácil
desanimar e assustar-se quando se tem a consciência de ser um “pequeno
rebanho” diante de multidões incalculáveis às quais se deve levar a verdade
do Evangelho. É fácil desanimar diante de pessoas cujos interesses nada têm a
ver com o Reino de Deus. Parece uma missão impossível. No entanto, Jesus
garante aos seus que, com a fé, “transportarão as montanhas” da indiferença,
do desinteresse do mundo. Se eles tiverem fé, nada lhes será impossível. Eis
a exortação de Jesus a não desanimar e a se dirigir a Deus com muita confiança.
Ele, de um modo ou de outro, haverá de atender. “Em verdade vos digo: se
tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai
daqui para lá’, e ela irá. Nada vos será impossível.”
Se nossa força estiver na Cruz de Cristo, teremos toda a coragem
e o entusiasmo necessários para proclamar a Palavra. “Nós, que cremos,
reconhecemos o amor que Deus tem para conosco. Deus é amor. E ele amou primeiro
Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele.
Nisto se realiza plenamente o seu amor para conosco: em que tenhamos firme
confiança no dia do julgamento; pois assim como Jesus é, somos também nós
neste mundo.
No amor não há medo. Ao contrário, o perfeito amor lança fora
o medo, pois o medo implica castigo, e aquele que tem medo não chegou à perfeição
do amor”. O Senhor nos faça vencer o vão temor e nos conceda o entusiasmo e
a audácia dos santos!
E começa uma vida totalmente nova que tem seu fundamento no
Batismo, que é morrer com Cristo e ressurgir com Ele, sepultar o homem velho
para viver, em Cristo e segundo a sua imagem, como criaturas novas, no amor.
Daqui nasce a continuidade dos projetos missionários em Belém. Brote nosso
entusiasmo para caminhar em direção aos quatrocentos anos da cidade de Santa
Maria de Belém do Grão Pará, em 12 de janeiro de 2016, e da Evangelização
da Amazônia. Para anunciar Jesus Cristo continuaremos a viver o Círio de
Nazaré, que reconheço em seu inigualável potencial evangelizador. Do anúncio
de Jesus Cristo partimos na preparação do XVII Congresso Eucarístico
Nacional, a ser vivido como um grande evento de Evangelização: Belém, Casa do
Pão, Eucaristia e partilha, Amazônia Missionária!
Todas as Palavras do Evangelho sejam reconhecidas por nossa
Igreja como presença de Jesus morto e ressuscitado que levam a conformar-nos
com Ele, para não vivermos mais para nós, mas sejamos tudo para todos, para
ganhar o maior número possível para Deus. Na Palavra da Cruz, a Igreja de Belém
encontrará sentido e força para evangelizar.
Comunhão com Jesus Eucaristia
Porém, Jesus quis fazer de nós uma só realidade com Ele, o seu
Corpo que vive a sua vida e é sua presença no mundo. Como os grãos de trigo são
moídos para se tornarem pão, ou como os grãos de uva são espremidos para se
tornarem vinho, assim acontece conosco pela Eucaristia se correspondermos à graça
que ela nos comunica. Nós nos tornamos uma coisa só com Jesus e entre nós,
Corpo Místico de Cristo. “Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde
eu estiver, a fim de que contemplem a minha glória, aquela que tu me deste”.
A Eucaristia é o dom do Corpo e Sangue, Alma e Divindade de
Jesus Cristo, dom que ele antecipou na última Ceia, mas que encontra seu pleno
significado na oferta na Cruz. Na Eucaristia é Jesus crucificado, morto e
ressuscitado que nos une a si e entre nós, rompendo a barreira do
individualismo, que nos separa dos outros, fazendo de nós o seu Corpo, Igreja,
“o Cristo Total”, no dizer de Santo Agostinho. Mas este dom há de ser
acolhido e vivido. O amor de Cristo comunicado pela Eucaristia se torne nossa
vida, nosso modo de ser comunhão para os outros. Quem comunga aceite ser
Eucaristia para o mundo, pão partido, entrega de amor para o bem dos outros.
“O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”.
Com o Documento de Aparecida, estou convencido de que "só
da Eucaristia brotará a civilização do amor que transformará a América
Latina e o Caribe para que, além de ser o Continente da esperança, seja também
o Continente do amor” 46 e que “cada grande reforma na Igreja está
vinculada à redescoberta da fé na Eucaristia”.
A Santa Missa, celebrada e bem vivida em todos os recantos de
nossa Arquidiocese, esteja o centro de irradiação da vida da Igreja. Os
sacerdotes, na Eucaristia diária encontrem a fonte de seu ministério. Cada
Sacrário seja como um foco de incêndio, destinado a espalhar o fogo do Amor de
Cristo! Nossa vida Eucarística prepare o Congresso Eucarístico Nacional. De
todos os cantos do Brasil venham os irmãos e irmãs, pois a mesa do Pão da
Vida estará preparada.
Comunhão com os irmãos
Nosso modelo de vida, para construir uma nova sociedade, está no
alto, na comunhão de vida da Santíssima Trindade. “Como tu, Pai, estás em
mim e eu em ti, sejam também eles uma só coisa em nós”. No início da
Igreja, “a multidão dos que tinham aderido à fé tinha um só coração e
uma só alma e que ninguém considerava próprio o que possuía”. Para São
Paulo, ser “Igreja” significa ser como uma só pessoa em Cristo, ser o seu
corpo que o torna presente e visível, o que exige a unidade que é comunhão,
partilha dos bens, comunhão de pensamento e de sentimentos.
Mas nas Comunidades fundadas por São Paulo havia também grandes
divisões. Ele não se cansa de mostrar Jesus crucificado como modelo decisivo
da comunidade de Igreja. “Tende entre vós os mesmos sentimentos de Cristo
Jesus” e fala do despojamento radical com que Jesus não se apegou à sua
igualdade com Deus e por nós assumiu a morte de cruz. Também em nossa Igreja a
Comunhão é tarefa e desafio. O amor infinito do Cristo crucificado e
ressuscitado há de ser a “lei” com a qual queremos pautar todos os
relacionamentos na Igreja de Belém, no presbitério, entre ministros e fiéis,
Ordens e Congregações religiosas, Carismas, Movimentos, as Paróquias e
Comunidades. “Cada um de vós, com toda a humildade, considere os outros
superiores a si mesmo” (Fl 2,3).
Queremos ser a resposta de amor à falta de amor existente em
nosso mundo. Se assim o fizermos, o grito de Cristo na Cruz, que ressoa em todos
os graves problemas sociais que nos cercam, encontrará resposta ao seu dom de
amor. Ele se manifestará no meio de nós, na sua Igreja, como Ressuscitado. Uma
Igreja assim atesta com todo o seu ser que a vida da Santíssima Trindade que
Jesus trouxe à terra é verdadeira. Como no dia de Pentecostes quando, vendo a
primeira comunidade cristã, apenas nascida do Espírito do Ressuscitado, os que
não acreditavam “sentiram transpassar o próprio coração” 53.
Quero entrar na Casa da Igreja, as Paróquias, células vivas da
Igreja de Belém e Comunidades, onde a vida cristã cresce e amadurece e,
passando por estas portas, desejo chegar às famílias, saudando as crianças,
adolescentes, jovens, casais, pessoas adultas e idosas, especialmente os
enfermos. Nas Paróquias, mas também em todos os campos pastorais em que
se encontram presentes, minha saudação especial aos sacerdotes. É muito bom
ter recebido de tantos de vocês manifestações de acolhida que me fizeram
sentir-me imediatamente em casa. É bom chegar para vivermos juntos o caminho da
fidelidade sacerdotal, contemplando a fidelidade de Cristo! Dos padres espero
que sejamos juntos construtores de unidade, num único presbitério, na ajuda mútua,
na correção fraterna, no estímulo da caridade. Nosso serviço é o da comunhão!
Quanto mais obedientes a Cristo, maior será nossa liberdade e eficácia no
trabalho pastoral.
Não tenhamos medo de nos deixar esvaziar pela obediência:
seremos mais dóceis à vontade do Pai. Escutemos sempre Nossa Senhora: “fazei
tudo o que vos disser”, para chegarmos à liberdade do “faça-se em mim
segundo tua palavra”.
Com os presbíteros, acolho de coração nossos seminaristas.
Confio a Nossa Senhora de Nazaré e a São Pio X o caminho de formação que
percorrem, desejoso de que se preparem para ser padres segundo o Coração de
Jesus.
Agradeço o testemunho das pessoas consagradas, dos religiosos e
religiosas de nossa Arquidiocese, na grandeza de sua vocação, na vida ativa e
contemplativa. Nossa Senhora, Rainha dos Virgens, interceda para que, chamados,
conforme a riqueza dos carismas antigos e novos, sejam em nosso meio sinal
alegre e profético das realidades futuras e definitivas. Vocês são semente de
esperança, fecunda dedicação aos pobres, aos doentes e aos jovens. Novas
formas de dedicação a Deus, nascidas da espiritualidade de Novos Movimentos
eclesiais e Comunidades Novas surgem em nosso meio: agradecemos a Deus por esta
renovada vitalidade e pelos novos horizontes que o Espírito suscita com sua
presença e contamos com seu vigor apostólico.
5. MISSÃO
O Concílio Vaticano II, ao lado da comunhão, colocou também em
relevo a missão. O novo povo de Deus é para toda a humanidade semente de
unidade, de salvação e de esperança e, como tal, “sente-se solidário com o
gênero humano e com sua história”. Como Cristo realizou a sua obra de redenção
através da pobreza e das perseguições, do mesmo modo a Igreja é chamada a
seguir o mesmo caminho para comunicar os frutos da salvação. Jesus Cristo,
sendo de condição divina despojou-se a si mesmo, assumindo a natureza de servo
e por nós “de rico que ele era se fez pobre” 58. Assim também a Igreja de
Belém é chamada a viver.
Aqui está a alma da missão. Em Cristo crucificado, Deus veio
morar entre os pecadores, participando plenamente de sua vida, menos no pecado,
e derramou o Espírito sobre a inteira humanidade. Trata-se da solidariedade
incondicional com todas as situações humanas: “Com os fracos me fiz fraco,
para ganhar os fracos. Eu me fiz tudo para todos, para certamente salvar alguns.
Por causa do evangelho eu faço tudo, para dele me tornar participante” .
Esta não é só uma experiência de São Paulo, mas a nossa missão.
Desejo, junto com a Igreja de Belém e como seu pastor, assumir sobre nós a miséria
do mundo, para mergulhá-la e redimi-la na Misericórdia de Deus. A cada erro
feito pelo irmão pedirei perdão ao Pai como se fosse meu. E é meu porque o
meu amor toma posse dele, porque temos uma “alma Igreja”.
Com Jesus crucificado e ressuscitado, queremos ir ao encontro da
humanidade, especialmente onde mais se vive na escuridão, na angústia, no
afastamento de Deus. E o que encontraremos? Graças ao abandono de Jesus, em tudo isto
que se manifesta como dor e separação de Deus não se encontra apenas o vazio
e o pecado, mas o próprio Cristo que, como afirma o Concílio, “se uniu, a
todo ser humano”. “Cordeiro inocente, com o seu sangue livremente derramado
ele mereceu para nós a vida, e nele Deus nos reconciliou consigo mesmo e entre
nós. E isto não vale apenas para os cristãos. Na verdade, Cristo deu a vida
por todos” 61. Ninguém seja excluído de nosso amor.
Esta é a raiz de tantas obras destinadas a socorrer aqueles que
mais se assemelham a Jesus crucificado: escolas, hospitais, nossa Cáritas
Metropolitana e as iniciativas sociais e de compromisso nos vários âmbitos da
convivência humana. Em todos os ambientes a Igreja encontra Jesus Cristo e,
amando-o exatamente naquilo que é mais difícil, é chamada a propagar a comunhão.
Não haja entre nós limites para o amor ao próximo!
Nossa Igreja empreenderá um esforço renovado em favor da família,
da vida de todos, crianças, doentes, pobres, idosos e marginalizados a partir
de um sério e valente compromisso de proposta e defesa, à luz do Evangelho e
da Eucaristia, da vida humana desde sua concepção até sua morte natural. As
Paróquias, as Pastorais, juntamente com os Movimentos e Serviços eclesiais, as
Novas Comunidades, os Grupos de Espiritualidade familiar, à luz da Sagrada Família
e da obediência de Jesus Cristo Filho de Deus, de Nossa Senhora e de São José,
deverão trabalhar em favor de tudo o que puder contribuir para que homens e
mulheres, e ainda mais os batizados, possam viver sua entrega, morrer a si
mesmos e se tornarem verdadeiros construtores do bem de todos pelo dom generoso
de sua vida familiar, até testemunharmos o maior de todos os bens: a vida nova
e eterna em Jesus Cristo.
Queremos acolher o apelo da Conferência de Aparecida, quando diz
que “a Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade
e audácia sua missão nas novas circunstâncias. Ela não pode fechar-se àqueles
que trazem confusão, perigos e ameaças ou àqueles que pretendem cobrir a
variedade e complexidade das situações com ideologias ou agressões irresponsáveis.
Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada
em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus
Cristo, que desperte discípulos e missionários” .
Tal propósito exigirá de nós uma disposição para o diálogo:
diálogo entre as pessoas dentro da Igreja, diálogo com os outros cristãos, diálogo
com as pessoas de convicções diferentes. Assim, nossa Arquidiocese contribuirá
para que floresça o que Deus semeou em todo coração humano e em toda cultura.
Aqui já se faz muito neste sentido. A presença dos nossos
queridos Diáconos Permanentes, a serviço da caridade de Cristo, as Pastorais
sociais, dentre elas a Pastoral carcerária, a benemérita Pastoral da criança,
do Menor e do Idoso, o Instituto de Desenvolvimento Humano Integral e tantas
outras manifestações do serviço da caridade. O Centro de Cultura e Formação
Cristã, a Pastoral Universitária, o Centro de Bioética da Amazônia e um
grande números de cristãos, leigos e leigas, membros de Movimentos Eclesiais e
Novas Comunidades, que representam nosso compromisso de estarmos no mundo,
amando o mundo, sem ser do mundo, mas dialogando com o mundo para que se salve e
tenha a vida nova em Cristo ressuscitado. Partilhar a competência de quem está
no mundo por chamado de Deus contribuirá para que esta Igreja que vive em Belém
seja fecunda semente de um mundo novo, de homens e mulheres novos, de uma
humanidade nova em caminho para a Jerusalém do Céu.
A “Voz de Nazaré”, as Imagens da “TV Nazaré”, o som da
“Rádio Nazaré”, que fazem parte de nosso serviço evangelizador, são
divulgadas entre nós através de um dos presentes mais significativos dados
pela providência de Deus a esta Igreja, a Fundação Nazaré de Comunicação. Esta
providência se manifesta através de tantas pessoas na “Família de Nazaré”
que se sentem responsáveis pelos nossos meios de Comunicação Social. Sinto-me
agraciado por Deus por chegar a uma Igreja com grande capacidade para utilizar
adequadamente os Meios de Comunicação, Social, nos quais reconheço o grande
potencial de Evangelização, sentindo-me chamado a comprometer-me com eles.
Olhemos para o alto e para frente, para os tetos do mundo, para que a boa nova
do Evangelho chegue a todos, na força dos meios de Comunicação Social.
Tudo isso será instrumento de missão, disponibilidade à ação
daquele que fecunda a ação apostólica da Igreja.
Olharemos juntos para as fronteiras mais distantes dos corações
e do mundo, para que o poder radiante da Cruz vença o mundo com amor!
6. IGREJA MISTÉRIO, COMUNHÃO E MISSÃO
Irmãos e irmãs, Deus nos ofereceu a Virgem Maria como
companheira na peregrinação hoje realizada pelos caminhos da Igreja Mistério,
Comunhão e Missão. Unido a Santa Maria de Belém, Nossa Senhora de Nazaré,
inicio meu ministério episcopal em Belém, encontrando na obediência à
vontade de Deus minha liberdade.
Deixando a muito amada Igreja que vive em Palmas, sou chamado a
dar a vida na Igreja em Belém do Pará, para que, na Eucaristia, toda minha
vida episcopal seja consumida e entregue, para que esta Igreja belenense, todos
nós, sejamos fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo e levemos a todos a esperança
certa de sua Vida Nova e Eterna.
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo
Metropolitano de Belém do Pará
20h57
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