Texto
da Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo
Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto
foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.
Dia 18/01:
A Igreja em Jerusalém
Joel 2,
21-22.28-29: Derramarei meu Espírito sobre toda a carne.
Salmo 46:
Deus está no meio da cidade
Atos 2,
1-12: Quando chegou a dia de Pentecostes
João 14,
15-21: É ele o Espírito da verdade
Comentário
A
caminhada desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos começa em Jerusalém
no dia de Pentecostes, no início da própria caminhada da Igreja.
O
tema desta Semana diz: “eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à
comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. “Eles” são a
primitiva Igreja de Jerusalém, nascida no dia de Pentecostes quando o Defensor
(Paráclito), o Espírito de verdade, desceu sobre os primeiros fiéis, como
tinha sido prometido por Deus através do profeta Joel, e pelo Senhor Jesus na
noite anterior ao seu sofrimento e sua morte. Todos os que vivem em continuidade
com o dia de Pentecostes vivem em continuidade com a primitiva Igreja de Jerusalém,
com seu líder São Tiago. Essa Igreja é a Igreja mãe de todos nós. Ela nos
proporciona a imagem ou ícone da unidade cristã pela qual oramos nesta Semana.
De
acordo com uma antiga tradição oriental, a sucessão na Igreja vem através da
continuidade em relação à primeira comunidade de Jerusalém. A Igreja de
Jerusalém nos tempos apostólicos é ligada à Igreja celeste de Jerusalém,
que por sua vez se torna o ícone de todas as Igrejas cristãs. O sinal de
continuidade com a Igreja de Jerusalém para todas as Igrejas é a manutenção
das “marcas” da primeira comunidade cristã através do nosso empenho em
estar “assíduos aos ensinamentos e à comunhão fraterna, à fração do pão
e às orações”.
A
atual Igreja de Jerusalém vive em continuidade com a Igreja apostólica de
Jerusalém, particularmente por seu penoso testemunho da verdade. Seu testemunho
do Evangelho e sua luta contra a desigualdade e a injustiça nos lembram que a
oração pela unidade dos cristãos é inseparável da oração pela paz e pela
justiça.
Oração
Todo
poderoso e Misericordioso Deus, com grande poder reuniste os primeiros cristãos
na cidade de Jerusalém, pelo dom do Espírito Santo, desafiando o poder terreno
do Império Romano. Concede-nos que, como essa primeira Igreja de Jerusalém,
possamos nos unir corajosamente na pregação e na vivência das boas novas da
reconciliação e da paz, onde houver desigualdade e injustiça. Oramos em nome
de Jesus, que nos liberta da servidão do pecado e da morte. Amém.
Dia 19/01:
Muitos membros de um só corpo
Isaías
55, 1-4: Vinde para as águas
Salmo 85,
8-13: Sua salvação está bem próxima
1 Coríntios
12, 12-27: Fomos batizados em um só Espírito para formarmos um só corpo
João 15,
1-13: Eu sou a verdadeira videira
Comentário
A
Igreja de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos é o modelo da unidade que buscamos
hoje. Como tal, ela nos lembra que a oração pela unidade dos cristãos não
pode ser um pedido de uniformidade, porque a unidade desde o começo foi
caracterizada por uma rica diversidade. A Igreja de Jerusalém é o modelo ou ícone
da unidade na diversidade.
A
narrativa de Pentecostes no Livro dos Atos nos conta que estavam representadas
em Jerusalém naquele dia todas as línguas e culturas do antigo mundo mediterrâneo
e, além disso, que as pessoas que ouviram o evangelho em suas diversas línguas
foram unidas umas às outras, pela pregação de Pedro, no arrependimento, nas
águas do Batismo e através do derramamento do Espírito Santo. Ou, como
escreveria São Paulo mais tarde, "todos nós fomos batizados em um só Espírito,
para formarmos um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou homens livres, e
todos nós bebemos de um único Espírito." Não se trata de uma comunidade
uniforme de pessoas com pensamento semelhante, de pessoas unidas pela língua e
pela cultura que se tornaram um no ensinamento dos apóstolos, na comunhão
fraterna, na fração do pão e nas orações. Mas era uma comunidade ricamente
diversificada, cujas diferenças poderiam facilmente explodir em controvérsias,
como foi o caso entre os helenistas e os cristãos hebreus sobre o descaso em
relação às viúvas gregas, que São Lucas relata em At 5,1. Ainda assim, a
Igreja de Jerusalém em unidade consigo mesma e era uma com o Senhor
Ressuscitado que diz "Eu sou a vinha, vocês são os sarmentos: aquele que
permanece em mim e no qual eu permaneço, esse produzirá frutos em abundância".
Rica
diversidade caracteriza hoje as Igrejas em Jerusalém, bem como no mundo
inteiro. Isso pode facilmente descambar para a controvérsia em Jerusalém, que
tem agora um acentuado clima de hostilidade política. Mas, como na primeira
Igreja de Jerusalém, os cristãos em Jerusalém hoje nos recordam que há
muitos membros num corpo, uma unidade na diversidade. Antigas tradições nos
ensinam que a diversidade e a unidade existem na Jerusalém celeste. Elas nos
relembram que diferença e diversidade não são o mesmo que divisão e desunião,
e que a unidade cristã pela qual oramos sempre preserva a autêntica
diversidade.
Oração
Deus,
de quem flui toda a vida em sua diversidade, chamas tua Igreja, como corpo de
Cristo, a estar unida no amor. Possamos nós aprender mais profundamente nossa
unidade na diversidade, e buscar trabalhar juntos na pregação e na construção
do teu Reino de amor abundante para todos, enquanto nos acompanhamos uns aos
outros em cada lugar, em todos os lugares. Que tenhamos sempre em mente Cristo,
como fonte de nossa vida em comum. Oramos na unidade do Espírito. Amém.
Dia 20/01:
A fidelidade aos ensinamentos dos apóstolos nos une
Isaías
51, 4-8: Dai-me atenção, meu povo
Salmo 119,
105-112: Tua Palavra é lâmpada para os meus passos
Romanos 1,
15-17: Desejo vos anunciar o Evangelho
João 17,
6-19: Eu manifestei o teu nome
Comentário
A
Igreja de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos estava unida por sua fidelidade aos
ensinamentos dos apóstolos, apesar da grande diversidade de língua e cultura
entre seus membros. O ensinamento dos apóstolos era seu testemunho da vida, do
ensino, do ministério, da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Seu
ensinamento é o que São Paulo chama simplesmente de "o evangelho". O
ensinamento dos apóstolos é o que São Pedro exemplifica em sua pregação em
Jerusalém no dia de Pentecostes. Usando palavras do profeta Joel, ele conecta a
Igreja com a história bíblica do povo de Deus, levando-nos para dentro da
narrativa que começa com a própria criação.
Apesar
das divisões, a Palavra de Deus nos congrega e nos une. O ensinamento dos apóstolos,
a boa nova em sua plenitude, estava no centro da unidade na diversidade da
primeira Igreja de Jerusalém. Os cristãos em Jerusalém nos relembram hoje que
não foi simplesmente o "ensinamento dos apóstolos" que uniu a
primitiva Igreja, mas a fidelidade àquele ensinamento. Tal fidelidade
transparece quando São Paulo identifica o evangelho como "o poder de Deus
para a salvação".
O
profeta Isaías nos recorda que o ensinamento de Deus é inseparável da sua
justiça, que é "luz dos povos", ou, como diz o salmista, "tua
palavra é lâmpada para os meus passos, luz para o meu caminho... Tuas exigências
são para sempre minha herança; são a alegria do meu coração".
Oração
Deus da luz,
nós te damos graças pela revelação da tua verdade em Jesus Cristo, tua
palavra viva, que recebemos através do ensinamento dos apóstolos, ouvidos
primeiramente em Jerusalém. Que o teu Espírito Santo continue a nos santificar
na verdade do teu Filho, para que unidos nele possamos crescer na devoção à
palavra, e juntos servir teu Reino em humildade e amor. Em nome de Cristo
oramos. Amém.
Meditação: 4º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos
Dia 21/01:
Partilha, uma expressão de nossa
unidade
Isaías
58, 6-10: Não é partilhar o teu pão com o faminto?
Salmo 37,
1-11: Confia no Senhor e faze o bem
Atos 4,
32-37: Punham tudo em comum
Mateus 6,
25-34: Procurai primeiro o Reino de Deus
Comentário
O
sinal de continuidade em relação à Igreja apostólica de Jerusalém é a
fidelidade "ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração
do pão e às orações". A Igreja de Jerusalém de hoje, porém, nos
relembra a conseqüência prática de tal fidelidade - a partilha. Os Atos dos
Apóstolos dizem simplesmente: " Todos os que abraçavam a fé estavam
unidos e tudo partilhavam. Vendiam as suas propriedades e os seus bens para
repartir o dinheiro apurado entre todos, segundo as necessidades de cada
um" (Atos 2, 44-45). A leitura que fazemos hoje do Livro de Atos conecta
essa partilha radical com o poderoso testemunho apostólico da ressurreição do
Senhor Jesus e da grande graça que veio sobre eles. Os perseguidores romanos
que vieram depois observaram com certa pertinência: "vejam como eles se
amam".
Tal
partilha de recursos caracteriza a vida do povo cristão em Jerusalém hoje. É
um sinal de sua continuidade em relação aos primeiros cristãos; é um sinal e
um desafio para todas as Igrejas. Isso liga a proclamação do Evangelho, a
celebração da Eucaristia e a comunhão fraterna da comunidade cristã com uma
radical igualdade e justiça para todos. Na medida em que tal partilha é um
testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e um sinal de continuidade com a
Igreja de Jerusalém, é igualmente um sinal da unidade que temos uns com os
outros.
Há
muitas maneiras de partilhar. Há a partilha radical da Igreja apostólica, onde
ninguém passava necessidade. Há a partilha mútua de cargas, lutas, dores e
sofrimentos. Há a partilha nas alegrias e conquistas, nas bênçãos e curas do
outro. Há também a partilha de dons e compreensões entre uma tradição
eclesial e outra, mesmo no meio de nossa separação, uma partilha ecumênica de
dons. Tal generosa partilha é uma conseqüência prática de nossa fidelidade
ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna; é uma conseqüência de
nossa oração pela unidade cristã.
Oração
Deus
de justiça, teus dons são gratuitos. Nós te agradecemos porque nos tens dado
o que precisamos para que todos possamos estar alimentados, vestidos, abrigados.
Guarda-nos do pecado egoísta da acumulação de bens e inspira-nos para que
sejamos instrumentos de amor, partilhando tudo que nos deste, em um testemunho
da tua generosidade e justiça. Como seguidores de Cristo, leva-nos a agir
juntos onde houver necessitados: onde famílias são privadas de suas casas,
quando os mais vulneráveis sofrem nas mãos dos poderosos, onde a pobreza e o
desemprego destroem vidas. Oramos em nome de Jesus, na unidade do Espírito
Santo. Amém.
Meditação: 5º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos
Dia
22/01: Partindo o pão na esperança
Êxodo 16,
13b- 21a: É o pão que o Senhor vos dá para comer
Salmo 116,
12-14.16-18: Eu te oferecerei um sacrifício de louvor
1 Coríntios
11, 17-18.23-26:Fazei isto em memória de mim
João 6,
53-58: Este é o pão que desceu do céu
Comentário
Da
primeira Igreja de Jerusalém até agora, a "fração do pão" tem
sido um ato central para os cristãos. Para os cristãos de Jerusalém hoje, a
partilha do pão é sinal tradicional de amizade, perdão e compromisso com o
outro. Somos desafiados, nessa fração do pão, a buscar uma unidade que possa
falar profeticamente a um mundo marcado por divisões. Esse é o mundo pelo
qual, de diferentes maneiras, fomos moldados. Na fração do pão os cristãos são
formados de novo pela mensagem profética de esperança para toda a humanidade.
Hoje
nós também partimos o pão com coração alegre e generoso; mas também
experimentamos, a cada celebração da Eucaristia, uma dolorosa lembrança de
nossa desunião. Neste quinto dia da Semana de Oração, os cristãos de Jerusalém
reúnem-se na sala superior, o lugar da Última Ceia. Aqui partem o pão em
esperança. Aprendemos essa esperança nas maneiras como Deus chega a nós nas
agruras dos nossos desgostos. O Êxodo conta como Deus responde aos murmúrios
do povo que ele havia libertado, fornecendo-lhes o que precisavam - não mais e
não menos. O maná no deserto é um presente de Deus, não para ser acumulado,
nem mesmo completamente compreendido. É, como nosso salmo celebra, um momento
que pede simplesmente ação de graças - porque Deus "abriu os grilhões".
O
que São Paulo reconhece é que partir o pão não significa apenas celebrar a
Eucaristia, mas ser um povo eucarístico - tornar-se corpo de Cristo no mundo.
Essa breve leitura permanece, em seu contexto (1 Cor 10-11), como um lembrete de
como a comunidade cristã deve viver: na comunhão em Cristo, produzindo conduta
correta num difícil contexto mundano, guiada pela realidade de nossa vida nele.
Vivemos "em memória dele".
Sendo
povo da fração do pão, somos povo da vida eterna - vida em plenitude - como
nos ensina a leitura de São João. Nossa celebração da Eucaristia nos desafia
a refletir sobre como tão abundante dom de vida se expressa no dia a dia,
enquanto vivemos na esperança, bem como nas dificuldades. Apesar dos desafios
diários dos cristãos de Jerusalém, eles testemunham como é possível se
alegrar na esperança.
Oração
Deus
da esperança, nós te louvamos pelo dom que nos deste na Ceia do Senhor, onde,
no Espírito, continuamos a encontrar teu Filho Jesus Cristo, o pão vivo do céu.
Perdoa por não sermos dignos desse grande dom - por nossa vida em divisões,
por nosso conluio com as desigualdades, nossa complacência na separação.
Senhor, oramos para que apresses o dia em que a tua Igreja possa partilhar em
conjunto a fração do pão, e para que, enquanto esperamos esse dia, possamos
aprender mais profundamente a ser um povo formado pela Eucaristia para o serviço
em benefício do mundo. Oramos em nome de Jesus. Amém.
Meditação: 6º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos
Dia
23/01: Fortalecidos para a ação
na oração
Jonas 2,
1-9: Ao Senhor é que pertence a salvação
Salmo 67,
1-7: Que os povos te rendam graças, ó Deus!
1 Timóteo
2, 1-8: Façam-se preces por todos os homens, pelos reis e todos os
que detêm autoridade
Mateus 6,
5-15: Que venha o teu Reino, que se realize a tua vontade
Comentário
Seguindo-se
à devoção aos ensinamentos dos apóstolos e à comunhão fraterna e a fração
do pão, a quarto marco da Igreja dos primórdios em Jerusalém é a vida de oração.
Ela é percebida hoje como fonte necessária do poder e da força de que os
cristãos necessitam em Jerusalém como em outros lugares. O testemunho dos
cristãos hoje em Jerusalém nos convida a um reconhecimento mais profundo das
maneiras pelas quais enfrentamos situações de injustiça e desigualdade em
nossos contextos. Em tudo isso, é a oração que dá força aos cristãos para
a missão em conjunto.
Para
Jonas, a intensidade de sua oração é seguida da dramática libertação da
barriga do peixe. Sua prece é cheia de sentimento, brota do seu próprio senso
de arrependimento por ter tentado escapar da vontade de Deus. Ele tinha
rejeitado o chamado de Deus à profecia, e acabou num lugar sem esperança. E
aqui Deus responde a sua prece com uma libertação para a missão. O salmo nos
convida a orar para que a face de Deus brilhe sobre nós - não apenas para
nosso benefício mas para que sua lei se espalhe entre todas as nações.
A
Igreja apostólica nos recorda que a oração é uma parte da força e do poder
da missão e da profecia para o mundo. Aqui a carta de Paulo a Timóteo nos
ensina a orar especialmente por aqueles que têm poder no mundo, para que
possamos viver juntos em paz e com dignidade. Oramos pela unidade de nossas
sociedades e países e pela unidade de toda a humanidade em Deus. Nossa oração
pela unidade em Cristo se estende ao mundo inteiro.
Essa
vida dinâmica de oração está enraizada no ensinamento do Senhor a seus discípulos.
Em nossa leitura do evangelho de Mateus, ouvimos falar da oração como um poder
secreto, que não vem de exibição ou bom desempenho, mas de humilde apresentação
diante do Senhor. O ensinamento de Jesus é resumido na Oração do Senhor.
Fazendo juntos essa oração nos tornamos um povo unido que busca a vontade do
Pai e a construção do seu Reino na terra; ela nos chama a uma vida de perdão
e reconciliação.
Oração
Senhor
Deus, nosso Pai, nos alegramos porque em todos os tempos, lugares e culturas, há
pessoas que te buscam em oração. Acima de tudo, te agradecemos pelo exemplo e
ensinamento de teu Filho, Jesus Cristo, que nos ensinou a aguardar em oração a
chegada do teu Reino. Ensina-nos a orar melhor juntos como cristãos, para que
possamos sempre estar conscientes da tua orientação e encorajamento ao longo
de nossas alegrias e tristezas, pelo poder de teu Santo Espírito. Amém.
Meditação:
7º dia da semana pela unidade dos cristãos
Dia 24/01: Vivendo a fé
da ressurreição
Isaías 60,1-3.18-22: Chamarás as tuas muralhas de Salvação e
as tuas portas de Louvor
Salmo 118, 1.5-17: Não, não morrerei, viverei
Romanos 6, 3-11: Pelo batismo nós fomos sepultados com ele em
sua morte...a fim de que também nós levemos uma vida nova
Mateus 28, 1-10: Então Jesus lhes disse: não temais
Comentário
A fidelidade dos primeiros cristãos ao ensinamento dos apóstolos
e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações tornou-se possível,
sobretudo, pelo vivo poder de Jesus Ressuscitado. Esse poder ainda está vivo, e
hoje os cristãos de Jerusalém dão testemunho disso. Sejam quais forem as
dificuldades da atual situação em que se encontram – não importa quanto ela
se pareça com o Getsemane ou Gólgota – eles sabem, pela fé, que tudo isso
é transformado pela verdade da ressurreição de Jesus dos mortos.
A luz e a esperança da ressurreição mudam tudo. Como profetiza
Isaías, é a transformação da escuridão em luz; é a iluminação para todos
os povos. O poder da ressurreição brilha a partir de Jerusalém, o lugar da
Paixão do Senhor, e conduz todas as nações ao seu brilho. Isso é uma nova
vida, na qual a violência é abandonada e a segurança é encontrada na salvação
e no louvor.
No Salmo temos palavras para celebrar a experiência cristã
central de passagem da morte para a vida. Esse é o sinal permanente do firme
amor de Deus. Pois, como ensina São Paulo, no batismo entramos no túmulo com
Cristo e ressuscitamos com ele. Morremos com Cristo e vivemos para partilhar sua
vida ressuscitada. E assim podemos ver o mundo de forma diferente – com
compaixão, paciência, amor e esperança – porque em Cristo as lutas
presentes nunca podem ser a história toda. Mesmo como cristãos divididos,
sabemos que o batismo que nos une é suportar a cruz à luz da ressurreição.
Para o Evangelho cristão essa vida de ressuscitado não é
meramente um conceito ou uma idéia que pode ajudar. Está enraizada num evento
vivenciado no tempo e no espaço. É esse evento que ouvimos recontado na
leitura do Evangelho com grande sentimento de humanidade e drama. De Jerusalém
o Senhor Ressuscitado envia saudações a seus discípulos através das eras,
nos chamando a segui-lo sem medo. Ele vai à nossa frente.
Oração
Deus, protetor da viúva, do órfão e do estrangeiro – num
mundo onde tantos conhecem o desespero, ressuscitaste teu Filho Jesus para dar
esperança à humanidade e renovar a terra. Continua a fortalecer e unificar tua
Igreja em suas lutas contra as forças da morte no mundo, onde a violência
contra a criação e a humanidade obscurece a esperança da nova vida que
ofereces. Assim oramos em nome do Senhor Ressuscitado, no poder do Espírito
Santo. Amém.
Meditação: 8º dia da semana pela
Unidade dos Cristãos
Dia 25/01:
Chamados ao ministério da reconciliação
Gênesis 33,
1-4: Esaú correu ao encontro de Jacó, apertou-o ao peito... eles choraram
Salmo 96,
1-13: Dizei entre as nações: o Senhor é rei
2 Coríntios
5, 17-21: Deus nos reconciliou consigo pelo Cristo e nos confiou o ministério
da reconciliação
Mateus 5,
21-26: Deixa a tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te
com teu irmão
Comentário
Nossas orações
desta semana nos levaram a uma caminhada em conjunto. Guiados pelas Escrituras,
fomos chamados a retornar a nossas origens cristãs - aquela Igreja apostólica
de Jerusalém. Ali temos visto fidelidade ao ensinamento dos apóstolos, à
comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. No fim de nossas reflexões
sobre o ideal de comunidade cristã que nos é apresentado em At 2,42, voltamos
ao nosso próprio contexto - as realidades das divisões, os descontentamentos,
decepções e injustiças. Neste ponto da reflexão, a Igreja de Jerusalém nos
coloca a questão: para que, então, ao concluir esta Semana de Oração pela
Unidade dos Cristãos, somos chamados aqui e agora?
Os cristãos
em Jerusalém hoje nos sugerem uma resposta: somos chamados, acima de tudo, ao
ministério da reconciliação. Tal chamado tem a ver com reconciliação em
muitos níveis, no meio de uma complexidade de divisões. Oramos pela unidade
dos cristãos para que a Igreja possa ser um sinal e um instrumento para a cura
de divisões e injustiças políticas e estruturais; oramos pelo convívio justo
e pacífico de judeus, cristãos e muçulmanos; oramos pelo crescimento da
compreensão entre pessoas de todas as crenças e também dos que não têm
nenhuma. Em nossa vida pessoal e familiar também o chamado à reconciliação
precisa encontrar uma resposta.
Jacó e Esaú,
no texto de Gênesis, são irmãos e ainda assim se estranham. Sua reconciliação
acontece mesmo quando seria de se esperar a permanência do conflito. A violência
e os hábitos de rancor são abandonados quando os irmãos se encontram e choram
juntos.
O
reconhecimento de nossa unidade como cristãos - e de fato como seres humanos -
diante de Deus nos leva ao grande canto do salmo de louvor ao Senhor que governa
o mundo com amorosa justiça. Em Cristo, Deus busca reconciliar consigo todos os
povos. Descrevendo isso, São Paulo, em nossa segunda leitura, celebra uma vida
de reconciliação como "uma nova criação". O chamado a reconciliar
é o chamado para permitir que o poder de Deus em nós faça novas todas as
coisas.
Mais uma vez,
sabemos que essas "boas novas" nos chamam a mudar o nosso modo de
viver. Como nos desafia Jesus, no relato dado por São Mateus, não podemos
continuar fazendo nossas ofertas no altar sabendo que somos responsáveis por
divisões ou injustiças.
O chamado à
oração pela unidade dos cristãos é um chamado à reconciliação. O chamado
à reconciliação é um chamado a ações, mesmo ações que venham a
interferir em nossas atividades eclesiais.
Oração
Deus da Paz,
nos te damos graças porque enviaste teu Filho Jesus, para que possamos nele nos
reconciliar contigo. Dá-nos a graça de sermos servos ativos de reconciliação
dentro de nossas Igrejas. Assim, ajuda-nos a prestar serviço à reconciliação
de todos os povos, particularmente em tua Terra Santa , o lugar onde derrubaste
a muralha de separação entre os povos e uniste a todos no Corpo de Cristo,
sacrificado no Monte Calvário. Enche-nos de amor mútuo. Que a nossa unidade
possa prestar serviço à reconciliação que desejas para toda a criação.
Oramos no poder do Espírito Santo. Amém.
Fonte: Zenit.org
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